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Foto da turma 1 – FIO

Turma 1- FIO

Minha mente fica confusa diante de tantos conceitos: interação, apropriação, acomodação, assimilação, interiorização, blá, blá, blá…..
Acabo olhando o real, o mundo que me cerca, e os outros….A psicologia falou tanto disso e demorou tanto pra eu entender. Quantas aprendizagens se fazem em um só dia, observando a si mesma e os outros?… Há um outro, que esta fora de mim que me questiona o tempo todo: ele pouco fala, mas muito diz; age em silencio e sua ação é eloquente; interage com o saber e produz outros, muitos outros. Dediquei-me a observação deste outro quase encantado que mora perto de mim. Sua idade não conta, sua experiencia de vida não conta, sua formação academica não conta, mas conta sua atitude diante de tudo, e questiono meus saberes; os manifesto e ouço palavras leves, breves e com sabor totalmente novo, assim, reavalio o que sei e me entrego a um novo saber. Este saber vai pouco a pouco se ajeitando dentro de mim, é uma sensação dificil pois meus antigos saberes são questionados…causam dor porque outros aparecem, e que delicia ao fim perceber que é esse outro que me faz crescer em meu saber, em meu ser, em meu viver. Assim se faz a construção do novo: não há saber definitivo, não há saber estável, não há saber acabado…. cada vez que o outro me atinge, todos meus saberes se desinstalam e surgem novamente, totalmente transformados. Bendito outro que me incomoda. Vem! – digo então- quero saber mais, da-me tua mão.

Os textos para reflexão, vieram em boa hora pois, nós profissionais que trabalhamos na educação por estarmos tão familiarizados com eles, corremos o risco de esquecermos da riqueza de ideais a que eles projetam embora a parte legal fique ainda ha muito de ser praticada.

A proposta foi de utilizar dois aspectos sobre os direitos a educação, mas ao reler os textos me surgiram outras questões e tomo a liberdade de cita-las: primeiro em relação ao direito a inclusão dos deficientes, outra questão prevista na Constituição é em relação à formação do professor e outra sobre o funcionamento dos Conselhos que tem a responsabilidade de fiscalizar o cumprimento do ECA

 Todo deficiente tem direito à educação em escolas publicas e não pode ser negado a ele esse direito. Hoje se fala tanto em inclusão mas vejo que ainda é um desafio muito grande pois as escolas em sua grande maioria ainda não estão preparadas para essa realidade. A estrutura fisica da maioria das escolas vem sendo sim adaptadas para receber alunos cadeirantes, com deficiencia visual etc, mas vejo que a grande dificuldade está na mentalidade das pessoas e em casos que considero dificeis, na mentalidade da muitos dirigentes de escola que ainda consideram absurda a inclusão dos alunos com tantas dificuldades entre os ditos “normais”. Percebo que é necessária uma metanóia para que os alunos deficientes sejam realmente inclusos na escola tanto publica quanto privada pois quando se trata de lidar com o diferente as estruturas pessoais sempre são abaladas. Não basta ser direito garantido pela Constituição ou pelo Eca, é necessário uma atitude de inclusão dentro das estruturas mentais de toda a comunidadee escolar.

O direito à educação básica na rede publica para toda criança e adolescente, ( educação de qualidade), esbarra num outro aspecto que considero estrutural: a formação e remuneração adequada do professor. Não podemos julgar o professor da rede publica que muitas vezes dá o que não tem para poder trabalhar uma vez que na maioria dos casos, acumulam horas aulas em jornadas excessivas e mal remunerados, sem tempo para preparação das aulas ou para a formação contuinuada. Outro impecilio é o pouco reconhecimento em relação ao aprimoramento pedagógico. lógico que isto está previsto na Constituição quando cita a exigencia de se ter planos de carreira para o docente, mas um professor investe verba em sua formação para crescer um ou dois pontinhos no nivel de aprimoramento pedag´pogico. (é o que constatei nos vários planos de carreira aos quais tve acesso ultimamente. A educação de qualidade também passa pelos agentes imediatos da escola e não pode ser negligenciada. O poder publico não tem politicas consistente que garantam investimentos eficazes para a melhoria da educação e utiliza-se de medidas paliativas apenas

Outra questão que quero citar, é em relação aos Conselhos Tutelares, orgão responsavel pela fiscalização do cumprimento do ECA. Conheço de perto o funcionamento dos Conselhos e reconheço o empenho dos mesmos em fazer cumprir a lei, mas tenho uma critica em relação a formação dos conselheiros: muitas vezes, a abordagem ás familias por parte desses conselheiros é feita de forma inadequada e não produz os efeitos desejados. Há casos em que se necessita mais que intervenção, necessita-se uma abordagem que provoque questionamentos por parte das familias e não apenas cumprimento de ordens. Esta ultima posição , uma vez passada a pressão retorna ao ponto inicial e os casos de reicidencia, quer na frequencia do aluno à escola, quer em casos de violencia familiar ou outras, são excessivos. Faz- se necessario um acompanhamento das familias por outro tipo de profissionais. Considero que a boa vontade dos conselheiros é muito importante, mas assim como no caso dos professores, eles deveriam ser escolhidos e votados com mais criterio e devidamente remunerados uma vez que enfrentam até ameaças de alguas familias no cumprimento de seu dever.

Tantas questões sobre a educação, e com tantas leis para garantirem os direitos à educação, não nos exime do dever de cidadãos de lutar por uma educação de qualidade na rede publica. Cabe- nos a nossa parte.

Realmente, há algo no ser humano que inquieta o tempo todo e é o medo da morte, a necessidade constante de conservar, preservar, guardar, reter e raramente com espontaneidade, soltar, dar, liberar. Parece mesmo que a cada mínima experiência de perda, a morte aparece com sua espada de divisão dizendo: te peguei! Vejo que nos jogos, assim como na vida, o medo de perder é mais cruel do que a vontade de ganhar e não de ganhar do outro, mas de ganhar de si mesmo, ou seja, se comparo meu hoje com o meu ontem, e vejo que me saí melhor, e vejo que o amanhã pode ser melhor ainda, consigo abrir espaço para o crescimento, para a auto-superação, para a harmonização dos meus contrários, ainda tenho para onde crescer, mas se busco a vitória para neutralizar os limites que são inerentes ao ser humano, encontro somente a experiencia da ansiedade, do medo ou até do terror diante da possibilidade de perda.

A saudade inconsciente da vitória consegue impregnar todas as áreas da vida. Alguém com obsessão de ganhar, não consegue viver senão sob o paradigma da vitoria. Alguém já disse, não me lembro quem, que isso se traduz na obsessão do primeiro lugar: no trabalho quer ser sempre o primeiro, na escola sempre o primeiro, numa discussão qualquer, sempre o primeiro, no relacionamento amoroso, sempre o primeiro, e jamais se sentirá seguro senão no primeiro lugar, mas paradoxalmente, esse lugar também o enche de medo, de cuidados, de ansiedade pois pode perde-lo a qualquer momento. Assim, quando já se alcançou o primeiro lugar não há outro caminho senão cair, perder, pois não se pode conservar um lugar estável a vida toda.

Penso um pouco na realidade escolar e neste caso, nos cursinhos pre-vestibular. Cada qual quer colocar o maior número de faixas com nomes de aprovados em primeiro lugar em suas portas. Cada qual quer provar de todas as formas que são os melhores, os mais capacitados, os mais preparados. E me pergunto onde vai parar tudo isso. Me entristeço com uma educação de resultados fechados, de respostas exatas, de soluções de problemas inventados. Sonho com outro tipo de educação, aquela onde a realidade é vista sob prisma de possibilidades. Onde o ser humano pode superar seu inato egoísmo e senso de preservação, quem sabe pelo caminho dos saberes, dos saberes necessários a vida neste planeta; ” Aprender a ser, a aprender a fazer, aprender a aprender e aprender a conviver”, o ser humano consiga viver mais em ritmo de freescobol. Será que é esperar muito?

Rita de Cássia

Paulo Freire teve lucidez para compreender que a partir do momento em que se constatam as necessidades do público-alvo a partir da escuta deste mesmo público, da observação atenta da fala do que é emrgente, para depois fazer uma intervençao, construida com esse mesmo público que, de espectadores tornam-se atores, participantes ativos da propria história.

O projeto interdisciplinar construido pelo coletivo e que teve repercussão eficaz e efetiva, foi mais um exemplo de que é possível superar os mitos de que alguém é detentor do poder do conhecimento. Ainda que, haja as especialidades na área do conhecimento, este pode ser totalmente dispensável se não corresponde às reais necessidades de um grupo. O saber deve estar à serviço das necessidades e somente se anteceder à elas quando para despertar desejo de saber. Acredito que se pode construir saberes que levam a profundas mudanças sociais e pessoais na construção coletiva. Mas ainda é um caminho longo a ser percorrido pois a tentação de poder através do saber ainda é muito forte entre os ditos “donos do conhecimento”

Esta semana pude aprofundar o tema da expressão de nossos corpos x palavra dita. Em minha pratica de psicologia clínica, encontro essa dicotomia o tempo todo, o paciente fala uma coisa e nega o que fala pela expressão corporal. Mas quero narrar uma experiencia que ocorreu na escola. Um aluno já bastante conhecido por suas várias transgressões, entrou na sala onde trabalho com a diretora e mostrou-nos um desenho muito bem feito. Era o perfil de um homem com traços quase delicados, mas com um sombreado que dava um aspecto agressivo e grave.O aluno mostrou o desenho com expressão alegre, com ar de triunfo e de satisfação. No entanto, algo em seu rosto mostrava desgosto, estava com o queixo endurecido e apertava o dedo mínino contra o polegar o tempo todo. Após receber os elogios da diretora, o aluno retirou-se eu comentei com a diretora que o aluno não estava bem.

Cinco minutos depois o aluno foi trazido à mesma sala pelo inspetor de aluno pois havia agredido um aluno, retirado o tênis do menino e atirado o mesmo sobre o telhado da escola. Conversei muito com ele, e descobri que o mesmo tinha vindo para a escola com muita raiva, havia apanhado da mãe.sentia-se frustrado e com sentimento de nulidade. Finalmente o aluno sentiu-se melhor.

Não há como fugir da realidade corpo-mente-coração sem dicotomias. Quase sempre a tentativa de separação é frustrante e frustrada. Nosso corpo não é entidade separada de nós. Nós somos o nosso corpo, é nele que sentimos a dor e o prazer, nele está nossa identidade refletida o tempo todo. Prestar atenção ao corpo é prestar atenção em nós mesmos, é conhecer-nos e conhecer ao outro. Só assim, em posse do que somos é que podemos intervir no que não somos e no que o outro nos diz
Rita de Cássia

“Meninos não choram” Paralelo sobre o tema do filme a a prática profissional em educação

Não se trata de um filme atraente, fácil de assistir, pois traz uma certa monotonia de imagens, de um determinado enfoque até a metade e de outro enfoque na metade seguinte do filme. Percebi que no início as cenas estavam voltadas a um conflito pessoal do personagem principal, e das consequencias particulares de seus atos: infrações, penalidades, isolamento, ausencia da família, etc. No entanto, após a metade do filme, amplia-se a temática de violência, preconceitos e exclusão. As cenas chegam a chocar pela violência e pelos atos violentos de correção com as proprias mãos. O disturbio de identidade sexual é visto pelos “justiceiros” como mais grave do que a agressão física, o estrupo, a morte. Faz pensar sobre a trajetoria do personagem que, transgride muitos limites, mas esconde-se constantemente, em seus proprios limites. Alguém que para manter uma identidade não fundamentada no corpo, entra em um mundo onde a violência fala mais alto, e a fuga constante de seus proprios compromissos confirmam a falta de recursos internos para sustentar os atos cometidos, confirmada pelo preconceito que impera mesmo em um ambiente onde muitos limites já foram transgredidos por parte de todos que deste ambiente participam.

Pensamos que em nossa sociedade a liberdade de escolha ou de orientação sexual é fato consumado, mas longe disso, ainda vivemos em um mundo em que a orientação sexual é um tabu ( mesmo quando dizemos que não é). Vista como inaceitável ou apenas como “sem-vergonhice” . No caso do filme, a homossexualidade feminina,vista como falta “de homem”, o que justificaria a imposição do ato sexual violento como correção de conduta. O conflito aceitável enquanto não entra na propria casa. Percebe-se a ambiguidade na vivencia do personagem principal: alguém que assume uma identidade masculina,com simulacros desta identidade e ao mesmo tempo, o outro lado da moeda: uma mulher que sequer teve uma experiencia sexual e paga o preço da violência por ter simulado um papel.

Penso no ambiente escolar onde trabalho , uma escola de ensino Fundamental, onde as identidades dos alunos estão em construção, mas já marcadas por uma visão social bastante rígida: homem é homem, mulher é mulher . Penso nos multiplos fatores que vão pouco a pouco, determinando a construção dessas identidades e o quanto ainda estamos engessados em formas de conduta excluentes. Ainda é um continente não explorado a questão da sexualidade nas escolas. Por mais que se tenha dito, ou que se diga sobre o tema, a maioria dos educadores ainda não sabem como lidar com essa questão, principalmente se em sala de aula surgem conflitos de relacionamento, de condutas mais explicitas de orientação sexual diversa. O tema “Inclusão” é facilmente digerido quando se trata de incluir alguém com uma deficiencia fisica, ou até uma deficiencia mental, mas quando a questão é de ordem sexual, o tema rapidamente sai do ambito da inclusão e torna-se questão de moralidade( digo moralidade e não ética, porque os julgamentos morais falam mais alto do que a postura ética de respeito e de inclusão). Percebo que os professores estão ainda despreparados para tratar o tema, não em termos de teoria, onde todo mundo sabe tudo, mas sim, na prática, na hora de enfrentar alguns conflitos em sala de aula.

Como psicóloga , enriquecida por escutas tão diversas na prática clínica e, como estudante de docencia, percebo o quão falha se torna a formação do docente em relação a essa questão discutida. O docente ainda não está preparado para mediar os conflitos que surgem na escola quando a questão é orientação sexual. Há um faz de conta de que tudo está bem, mas, faço a pergunta: quantos são os cursos de graduação na área de educação que trazem o tema da sexualidade no curriculo? Quantos são os cursos de pós graduação na area de docencia que oferecem disciplinas especificas para esse tema? Qual o percurso de auto-conhecimento e de analise pessoal que o docente faz para ter um suporte suficiente de equilibrio diante das questões de identidade trazidas em sala de aula? É uma questão que me preocupa, visto que todos os sujeitos são constituidos socialmente e que as diferenças são construídas sempre a partir de um lugar que se toma por norma ou centro, é preciso por a norma em discussão, o centro, fora do centro para que se obtenha outra construção, uma transformação, uma releitura desse emaranhado que nos cotidianiza, engessa, exclui. Como nos custa ouvir a narração histórica daqueles que entitulamos como diferentes, como outros. Quero partilhar esse meu questionamento e espero alguma contrubuição para meu crescimento pessoal e minha prática docente.

Rita de Cássia